O que é beleza?

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O que é beleza?

18 de junho

Existe uma regra ou medida?

Impossivel falar sobre beleza, sem voltarmos nossos olhos para a história da filosofia e da arte. A Estética é a disciplina da filosofia que estuda a arte e o belo. A origem do nome remonta ao grego aesthesis, que significa percepção. Pecebemos o mundo com nossos sentidos, criamos representações do que percebemos em idéias, conceitos e imagens artísticas. Assim, cada época, influenciada por essas idéias e representações, terá os seus, digamos, padrões do que é belo. Nossa prática como cirurgiões plásticos é muito influenciada por padrões clássicos de beleza, que remontam à tradição greco-romana, imortalizadas em obras daquele período e do Renascimento. Sendo assim, muitas das medidas que utilizamos como guias para alguns procedimentos e cirurgias, revelam as ideias de simetria e proporção, herdadas do classismo. Por exemplo, na análise facial, dividimos a face horizontamente em terços (superior, médio e inferior) e verticalmente em quintos, e buscamos proporção entre essas divisões. Um conceito clássico também é o da proporção áurea, na qual o número Phi seria a resultante de uma razão presente em diveras formas que se expressam intuitivamente na natureza. Essa razão representaria perfeição e harmonia, unindo a matemática à idéia de uma arquitetura da natureza. Toda essa geometria é aplicada em relações das distancias entre os olhos com o nariz, relação entre os lábios, angulos da face, posição do supercílio e assim por diante. Mas a influencia do classismo em nossas representações de beleza, logo, depreende uma questão importante: esses muitas vezes são canones de beleza um pouco restritivos. Em uma sociedade que é cada vez mais multicultural, o respeito às particularidades étnicas e a apreciação da beleza única de cada indivíduo devem ser também guias para o nosso trabalho. A nossa arte torna-se rica quando valoriza todas as proporções, formas e cores. Por fim, algumas características marcantes, que associamos a conceitos de feio, muitas vezes estão relacionadas ao desenvolvimento e função prejudicados. Por exemplo, a criança com o desenvolvimento da mandíbula alterado poderá respirar pela boca na infancia, e vir a ter uma série de alterações faciais na idade adulta. Prejuízos funcionais como ronco e apnéia poderão estar presentes, assim como uma insatisfação com sua imagem. Além disso, nosso olhar tende a considerar as características de juventude como belas e atrativas, pois o passar dos anos nos aproximaria de adoecermos e morrermos, e a idéia de finitude, tradicionalmente, não nos é muito aprazível. E o que eu penso, intimamente, sobre tudo isso? Penso que a grande beleza é viva e está em todas essas percepções e expressões e, como a vida, contém perfeição e imperfeição, harmonia e mesmo caos, em alguns momentos. E sobre nossa busca pessoal por beleza? Penso que ela pode, sim, envolver alguma modificação em nossa aparência, desde que dentro de um contexto maior de auto-cuidado e auto-aceitação.
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